O vice-prefeito de Rio Verde, Leonardo Veloso do Prado, e o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Paulo Martins, participaram de uma reunião hoje pela manhã, no Sindicato Rural, com lideranças agrícolas, para discutirem sobre o endividamento agrícola.
Estavam presentes ao evento o presidente e o diretor do Sindicato Rural, Byron Araújo e George Zaiden, o presidente da OCB de Goiás e da COMIGO, Antônio Chavaglia, o presidente da Comissão Estadual de Crédito Rural, Ezordino Guimarães, o vice-presidente da FAEG, Juraci de Oliveira, além de agricultores e lideranças.
“A discussão sobre o endividamento agrícola é fundamental para o setor e, mais ainda, para o desenvolvimento do país. Antes os filhos de agricultores herdavam a terra, hoje herdam dívidas. Como produzir se as dívidas se acumulam e não há como saldá-las? O sistema é absurdo. Há agricultores que financiam R$ 10 mil no banco, pagam, e ainda devem R$ 20 mil” explica Ezordino.
As principais causas do endividamento agrícola detectadas na reunião, são problemas climáticos graves, devido a falta de uma política de seguro agrícola; queda da produção, devido à concorrência internacional; falta de subsídios, onde os países ricos pagam subsídios aos agricultores e aqui isso não existe; transferência da renda do setor agrícola para outros setores, principalmente o financeiro e o industrial; juros flutuantes que geram os abusos citados; reforma agrária que não acontece devido a parceria do governo com o latifúndio e não estabelecimento de um cronograma de assistência aos assentados.
Nos anos agrícolas 2003/2004 e 2004/2005, o setor contraiu uma dívida adicional de R$ 20,9 bilhões, só de investimentos, e teve quase o mesmo valor no crédito de custeio, que foi em média R$ 22 bilhões. “Calculamos então, que nos últimos cinco anos agrícolas, o setor aumentou R$41,8 bilhões seu endividamento, por crédito de investimento” comenta Juraci de Oliveira.
Os números da crise apresentados durante a reunião revelam que a renda dos agropecuarista caiu 10,73 por cento (17,23 bilhões de reais) no ano passado. Nos primeiros nove meses de 2005, o PIB do agronegócio caiu 2,69 por cento. Mantido esse ritmo, em 2005 o PIB do agronegócio caiu 3,38 por cento, representando perdas de 18,06 bilhões de reais.
A Faeg quer elaborar um documento de políticas agropecuárias ao governo Lula, com cópias à bancada ruralista no Congresso Nacional. O documento apresentará as propostas de curto, médio e longo prazos para não ficar apenas nas discussões do imediato, mas também buscar soluções para reduzir as crises cíclicas do setor.
O documento pretende mostrar a importância do segmento do agronegócio para o Brasil. Nele contam as reivindicações nas áreas de crédito, logística, segurança, educação, meio ambiente, entre outros.
Segundo o Presidente da Comissão de Crédito Rural, quem não conseguir quitar suas dívidas com esta safra 2005/2006, deverá entrar com um processo jurídico contra o governo. “Se nem assim resolver, deveremos entrar com processo jurídico contra os bancos” conclui Ezordino Guimarães.