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‘Não sou contra a cana, sou contra o crescimento desordenado’, diz prefeito

Responsável pela lei que limita o cultivo da cana-de-açúcar a 10% da área agricultável de Rio Verde, o prefeito Paulo Roberto Cunha acredita que o município é uma “exceção” no Brasil por unir elementos favoráveis ao crescimento como solo e clima “excepcionais” para a agricultura e abertura à industrialização. “A medida de restrição da área para cana foi tomada justamente para não perdermos isso. A cana diminui as cidades”, diz Cunha.
 
Ele afirma que a liberação do plantio canavieiro iria acabar com as outras culturas. “Ela começou num período de fragilidade do agronegócio, em época de crise, com os financiamentos mais baixos da história. Por isso estourou. Mas, a longo prazo, não traz emprego e renda.”
 
Rio Verde, com a lei, restringiu apenas a área voltada à cana-de-açúcar. A soja, sua principal cultura, está liberada. Questionado sobre uma possível restrição a essa produção, Cunha diz que o caso é diferente pois não se trata de uma “monocultura”, mas sim da “base de uma cadeia”.
 
“Sem a soja, por exemplo, a Perdigão não teria se instalado na cidade. E é a indústria que mais emprega em Rio Verde hoje, coisa de 6 mil funcionários. Agora, se considerarmos o produto que mais emprega, sem dúvida é a soja. Tudo isso é conseqüência dela”, diz.

Pelo modelo que adotou, Rio Verde tornou-se uma espécie de ilha no meio de um “mar de cana”. “Todas as nossas cidades vizinhas têm cana, nós não. Mas eu não sou contra a cana. Sou contra o tipo de crescimento desordenado que ela pode trazer”, diz o prefeito.


Texto e foto: Isabelle Moreira Lima

http://colunas.g1.com.br/redacao/category/g1-na-rota-da-cana/
 

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