Antes mesmo do sol nascer, máquinas já cortam a paisagem de Rio Verde. O movimento começa na lavoura, mas não termina ali. Ele percorre estradas, abastece indústrias, movimenta o comércio, gera empregos e chega à mesa de milhões de brasileiros. Em Rio Verde, o agronegócio não sustenta apenas o campo — ele movimenta a cidade inteira.
Com um Produto Interno Bruto estimado em mais de R$ 20 bilhões, o município responde por cerca de 6% da economia de Goiás, consolidando-se como um dos principais polos do agronegócio brasileiro. A agropecuária representa aproximadamente 22,7% da economia local, com área plantada que ultrapassa 850 mil hectares.
Mas os números, por mais expressivos que sejam, não contam tudo.
Por trás das estatísticas existem histórias. Produtores que investem em tecnologia para aumentar a produtividade, como o seu Gilmar - pordutor de melancia no distrito de Lagoa do Bauzinho - que apostou em uma técnica conhecida como “protetor solar” para proteger as frutas do excesso de radiação. No município, trabalhadores encontram no campo oportunidades de renda, enquanto políticas públicas voltadas à infraestrutura e ao apoio técnico garantem condições para que a produção avance.
Essa conexão entre campo e cidade é visível em eventos como a Tecnoshow COMIGO, que reúne pesquisa, inovação, mercado e turismo em um único espaço. A feira integra produtores, cooperativas, empresas, instituições de pesquisa e o poder público, ampliando a difusão de tecnologia no campo. Em um município que ocupa a posição de segundo maior produtor de milho do Brasil, iniciativas como essa projetam Rio Verde para além das fronteiras do estado. Durante cinco dias, o município se transforma em vitrine internacional do agronegócio.
E por trás desse protagonismo existe uma base sólida: o cooperativismo. Em Rio Verde, a COMIGO é exemplo de como a força coletiva impulsiona resultados. Ao unir produtores, ampliar o acesso à tecnologia e organizar a comercialização, a cooperativa fortalece o campo e amplia o impacto econômico que chega à cidade.
Para que essa engrenagem funcione, no entanto, é preciso estrutura. O escoamento da produção depende de estradas em boas condições. A circulação de trabalhadores e insumos exige planejamento logístico. Em um cenário marcado por desafios climáticos e oscilações de mercado, manter essa cadeia ativa exige investimento constante.
No último ano, a Gestão Municipal construiu e recuperou 30 pontes e revitalizou mais de cinco mil quilômetros de estradas, fortalecendo a ligação entre a zona rural e o perímetro urbano. Também foi inaugurada a Sala de Multiprodutos, voltada ao monitoramento climático e ao apoio às decisões no campo. São ações que garantem que a produção chegue ao destino final com mais eficiência.
O impacto dessa conexão é amplo. O setor gera cerca de 8.500 empregos formais, além de milhares de postos indiretos. A movimentação econômica fortalece o comércio, impulsiona novos empreendimentos e amplia a arrecadação municipal.
E é nesse ponto que a conexão se completa.
Os recursos gerados pelo desenvolvimento retornam à população em forma de investimentos em saúde, educação e serviços públicos. O crescimento do campo impacta diretamente a qualidade de vida na cidade.
Seu Jorge Oliveira sente isso na prática. Ele trabalha na venda final de melancias em Rio Verde e resume a engrenagem de forma simples: “Se o produtor não colhe, eu também não vendo.”
Em Rio Verde, produzir não é apenas colher. É conectar. E é dessa conexão que nasce o desenvolvimento que move a cidade.

