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Secretário de Governo acompanha Cônsul da Arábia durante visita às instalações da Perdigão

A Prefeitura de Rio Verde, através do secretário de Governo, Rubens Leão, acompanhou ontem, entre as 15 e as 17 horas, o cônsul da Arábia Saudita, Anwar Abdulfattah Abd Rabbuh;  durante visita à unidade da Perdigão em Rio Verde, onde puderam conhecer o complexo agroindustrial da empresa. Rubens representou no ato o prefeito Paulo Roberto Cunha que estava em Brasília.
 
De acordo com o Secretário o Cônsul ficou satisfeito, entusiasmado e impressionado com a produção da Perdigão que atende todos os requisitos da religião mulçumana. “Foi uma oportunidade importante para poder mostrar ao Cônsul a prefeitura está sintonizada com esse tipo de pensamento e incentiva empresas que se preocupam em atender as demandas internacionais”, salientou.
 
A Perdigão iniciou o  processo de abate Halal, em agosto de 2002, para poder exportar produtos cárneos para o países do Oriente Médio.
 
 
Produção
Em 2002, mais de 23% do volume total das exportações da Companhia seguiu para o Oriente Médio, que é o segundo maior mercado da Perdigão. O principal produto vendido para esta região é o frango inteiro tipo “griller”, produzido pelas unidades de Rio Verde, Videira (SC), Capinzal (SC), Carambeí (PR) e Serafina Corrêa (RS).
 
O abate Halal realizado nessas cinco plantas é acompanhado por um inspetor muçulmano praticante, que garante que o processo seja realizado de acordo com o que estabelece o Alcorão (a bíblia dos mulçumanos).
 
Neste tipo de abate, o peito do frango deve estar voltado para a Meca e o corte, em formato de meia lua, feito por um instrumento afiado. Essa operação serve para provar que o abate é feito em obediência a Deus, o que periodicamente é conferido por um supervisor, também muçulmano, que visita todas as unidades habilitadas.
 
A Perdigão foi uma das pioneiras na exportação de frango para o Oriente Médio, com a primeira venda realizada para o Iraque, em 1975. Atualmente, as marcas da Empresa – Halal, Borella, Unef e Alnoor – têm forte participação na região. As operações para esse mercado são realizadas através de um escritório em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, inaugurado em abril de 2002.
 
Abate Halal
O Abate Halal, assim como o Abate Kosher, é um tipo de abate que atende à regras religiosas. Enquanto o Kosher atende a exigências da religião judaica, o Halal atende às da religião muçulmana, encontradas no livro sagrado denominado de Alcorão (Surah 6:118; Surah 6:121).
 
De acordo com as regras do Islamismo, religião seguida pelos muçulmanos, os alimentos são separados em três grupos:
 
1) Halal – alimentos permitidos;
2) Makruh – alimentos que podem consumir, mas não são encorajados a fazê-lo;
3) Haram – alimentos proibidos.
 
Segundo o exposto no Alcorão, é permitido aos muçulmanos que comam de tudo o que seja considerado bom para a saúde. Os animais devem ser abatidos depois de mencionado o Nome de Deus e só assim são considerados “Halal” (permitidos). Entre os produtos considerados Halal, são encontrados:
 
1) Carne de vacas, ovelhas, cabras, cervos, alces, galinhas, patos, pássaros de caça, etc., desde que tenham sito abatidos conforme os rituais islâmicos;
2) Leite (de vacas, ovelhas, camelos e cabras);
3) Mel;
4) Peixe;
5) Plantas que não sejam tóxicas;
6) Vegetais frescos ou congelados;
7) Frutas frescas ou secas;
8) Legumes e sementes iguais ao amendoim como, nozes, caju, avelãs, etc.;
9) Grãos como trigo, arroz, centeio, cevada, aveia, etc. Entre os produtos considerados Haram (proibidos), encontram-se:
1) Carne de suíno e seus derivados;
2) Animais abatidos de forma imprópria ou mortos antes do abate; 3) Animais abatidos em nome de outros aqueles que não seja Alá (Deus);
4) Nenhuma forma de sangue;
5) Produtos que contêm gelatina (feita de chifres e cascos de animais que podem não ser permitidos);
6) Tudo que causa embriaguez ou intoxicação (drogas e álcool).
 
A técnica
A técnica de abate, conhecida como Halal, determina que os animais sejam mortos de acordo com o ritual denominado Zabibah ou Zabiha. O ritual exige que os animais sejam mortos com um corte em movimento de meia-lua no pescoço, para que não sofram e não liberem enzimas na carne na hora da morte. Qualquer muçulmano que tenha chegado à adolescência pode realizar o abate Halal, desde que, durante o ato, pronuncie o nome de Alá com a face voltada para Meca ou diga uma oração com o nome de Alá. As regras dizem que o animal não deve estar com sede no momento do abate. A morte do animal se dá cortando, ou perfurando a garganta do mesmo, o que segundo o Alcorão, causa a morte mais rápida e com menor dor.
 
A faca deve estar bem afiada, mas a afiação não deve ser feita na frente do animal, para não causar nenhum tipo de tensão. A boa afiação da faca serve para que o tempo e a conseqüente dor animal associada ao processo de abate sejam reduzidos. O sangue deve ser retirado completamente da carcaça.
 
Uma diferenciação entre o abate Halal e o Kosher é que antes de morte, o Halal exige uma oração a Alá, o que não é exigido no Kosher. Assim como o Abate Kosher, o Abate Halal é supervisionado por fiscais muçulmanos enviados por centros islâmicos existentes em todo o país. Estes fiscais garantem que o abate está sendo feito da maneira correta.
 
Potencial a ser explorado
Como no Brasil há um milhão de muçulmanos e como as exportações para países do oriente Médio ainda é considerada pequena (3,5% do total exportado), isso demonstra o grande potencial a ser explorado.
 

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