Cada época da humanidade alguns desafios tornam-se impeditivos ao desenvolvimento. Certos autores relacionam que nos próximos 20 anos a humanidade terá que equacionar os problemas com: suprimento de energia, água, alimentos e os relacionados à preservação do meio ambiente, pobreza, democracia, população, doenças, terrorismo e guerra.
Estes macro-desafios, de alguma forma, estão presentes no aqui e agora de Goiás. Muitos projetos governamentais estão focados na resolução de alguns desses gargalos, outros estão esquecidos na busca de uma liderança que os faça acordar. Cada pasta costuma dizer que o seu é maior e melhor que o outro. Isto é normal.
Dos temas citados alguns encontram solução num lugar comum. Fome, alimentos, energia, pobreza, doenças carenciais não encontram receituário ou “lócus” melhor que a agricultura. Pode-se ir mais longe dizendo que povo com fome é prenuncio de guerra, numa versão bíblica do tema.
O noticiário mundial e brasileiro vem discutindo o paradoxo da produção de alimentos versus combustíveis renováveis. Fala-se na falta de estoques de arroz até para a alimentação da população brasileira. Medidas neste sentido foram tomadas, proibindo as exportações para garantia do suprimento nacional.
Goiás, num passado, foi um grande produtor de arroz chegando a ser um dos principais do País, detendo, também, um robusto e capaz contingente de técnicos pesquisadores que geram tecnologia para o Brasil, neste cultivo.
Mas, nem sempre, a oferta de alimentos se traduz em consumo pela população carente. Arroz é alimento básico dos goianos. Embora com todo o desenvolvimento a equidade – distribuição de renda- continua a desafiar planejadores e políticas públicas, agravando o número de despossuidos, criando despesas adicionais para a população pagante de impostos.
Ainda, na semana passada, numa colheita do projeto de lavouras comunitárias conduzido pela AGENCIARURAL, sob a coordenação da SEAGRO o Prefeito de um dos municípios grande produtor de alimentos e grãos foi enfático: a única lavoura de arroz do município era a comunitária que abastece a população envolvida no projeto.
Nesta safra 2007/2008 o Estado investiu no projeto lavoura comunitária R$ 3.115.040,00 atendendo 125 municípios, através de 246 associações e 75 prefeituras municipais para beneficiar uma população carente de 31.060 diretamente, além de um plus que é doado para obras assistenciais.
O interessante neste projeto é que ele é protagônico e de inserção social, pois os beneficiários participam dele, cuidando da lavoura e o Estado e Prefeitura entram com parte dos insumos usados.
Dez sacas de arroz em casca são suficientes para alimentação de uma família durante um ano. Numa época de escassez, como agora prenunciam os degladiadores de teses de abastecimento, verifica-se o acerto do projeto.
Em vários municípios as máquinas de beneficiar arroz foram reativadas para atender principalmente a produção da lavoura comunitária, gerando novas ocupações.
Parafraseando Magalhães, Lavoura comunitária – este é o lugar onde os paralelos se encontram. Um projeto de cunho estritamente social encontra resposta imediata no econômico, beneficiando populações carentes e promovendo a inserção econômica tão reclamada pelos planejadores de plantão.
Carlos César de Queiroz – Engenheiro Agrônomo e Mestre em Administração Rural